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terça-feira, novembro 10, 2009

É um direito e não uma regalia

Tenho uma amiga, a Sandra que tem 38 anos e é mãe de 1 filhote, lindo, inteligente e saudável. A Sandra vive em união de facto, ou numa terminologia mais católica, vive em pecado. Mas vive em pecado e viverá sempre porque mesmo que um dia case, será com uma mulher, pois ela é homosexual desde que eu a conheço. Nunca quis nada com rapazes, para muita pena nossa, diga-se.
A Lurdes é mais nova, tem apenas 29 anos, também é mãe de uma menina de 3 anos. Também ela bonita, saudável e de crescimento equilibrado. Também a Lourdes vive em união de facto. Aliás e como está bom de ver vivem ambas uma com a outra e criam em conjunto, as suas filhas que em bom rigor e vendo apenas os afectos são as filhas delas, pois os pais foram apenas os dadores de esperma para uma coisa que ambas desejavam.
Mas estas mulheres de carreira, que com a sua parceira criaram as suas duas filhas são mais do que apenas mães. São um exemplo de como havendo amor no lar, havendo harmonia no lar, havendo paz num lar as crianças são todas iguais. Crescem em harmonia com o mundo.
Estas mulheres segundo algumas pessoas estão a criar monstros. Porque há quem ache que um casal homosexual não tem capacidades para ser uma família quanto menos para criar e acompanhar crianças. Porque acham que uma criança só nasce harmoniosa e feliz se tiver uma figura de pai e outra da mãe e que outra coisa para além disto é inconcebível e horrendo. Talvez a Sandra e a Lurdes deveriam abrir as portas de sua casa a esses bispozecos da treta que segundo reza a história a unica coisa que conhecem sobre a família é o andarem a "comer" freiras e beatas e sobre crianças o contacto mais próximo que tiveram foi o de abusarem delas ou de matarem e entararem as que conceberam no mosteiro mais próximo.
Tou de tal modo farto da hipocrizia da Igreja que já não os consigo ouvir falar do casamento entre pessoas do mesmo sexo como se as pessoas não tivessem o direito a escolher a felicidade deles. Sou casado e tenho dois filhos. O que é que me garante que eu não poderia ter encontrado um homem na minha vida que me fizesse repensar a minha orientação sexual. Se tal tivesse acontecido eu não teria o direito a ser feliz? O que é que sabem os ratos de sacristia, essa corja chamada de padres, sobre o que é família, sexo e filhos. Ou já agora sobre só uma delas porque nenhuma é obrigatória da outra já agora.
Toda esta história já enjoa. Ver direitos fundamentais, como o da igualdade ser discutido como se de uma regalia se tratasse é repugnante. Todas as pessoas têm o direito a serem felizes. Todas as pessoas têm o direito a constituir família e para isso celebrarem um contrato seja ele de casamento ou do que fôr.

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8Comenta Este Post

At 11/10/2009 10:16 da manhã, Blogger André M. Palmeiro escreveu...

Só discordo de ti numa coisa que nada tem a ver com o essencial do texto. Direitos são direitos não são regalias e ao contrário do que os sectores ultra-conservadores que por aí pululam preconizam, nada há a referendar nessa questão, chamem-lhe casamento ou o raio que os parta; aliás esta intentona de alguns sectores da igreja que vêm agora sacralizar o tão, nos seus primórdios, endemoninhado casamento civil só pode dar mesmo é vontade de rir...

Voltando ao início, quando escreves "... ratos de sacristia, essa corja chamada de padres..." estás, talvez inconscientemente, a ofender uma parte, obviamente minoritária (mas ainda assim relevante) da igreja que baseia o seu sacerdócio nas influências da "Teologia da Libertação" e aqui podia referir, à laia de mero exemplo, o Bispo de Setúbal, D. Manuel Clemente e o apodado de Padre renegado, mas ainda assim padre, Mário de Oliveira, qué é um acérrimo defensor , até em obra escrita, dos máximos direitos das minorias!
A instituição igreja enquanto constitutiva de um "status quo horribilis" assente em vícios persecutórios e sanha desmediada contra o "estranho", essa sim merece o meu mais vivo repúdio, mas como em tudo na vida parece-me crucial separar o muito trigo do pouco joio...

 
At 11/10/2009 11:08 da manhã, Blogger Daniel Arruda escreveu...

André, talvez não tenha ficado claro mas as expressões que utilizei são unica e exclusivamente para essa minoria. Ao longo da vida encontrei muitos padres e outros elementos ligados á Igreja que merecem toda a minha consideração e respeito. O Padre Mário de Oliveira que referes é um bom exemplo, mas outros menos conhecidos como o Padre da Casa do Gaiato do Tojal que tem um trabalho no mínimo fabuloso na defesa de valores universais e com quem se tem horas de conversa, nem sempre em concordancia, mas horas de conversa deliciosas. Não sei se ainda lá está sequer, o que me faz lembrar que há contactos que não se deveriam perder.

Só mais uma coisa, só faço questão de lhe chamar casamento porque tem de ser um contrato celebrado entre duas pessoas e se legalmente se chama de casamento para casais de sexo oposto terá de ter o mesmo nome para os do mesmo sexo.

 
At 11/10/2009 11:46 da manhã, Anonymous Anónimo escreveu...

E se houvesse um referendo, para a população decidir, se os padres e as freiras , se poderiam ou não casar, como reagiria a Igreja Católica...

Diria certamente, que esse era um assunto interno da Igreja , que não se resolveria com referendos.

O mesmo se pode dizer , dos casamentos do mesmo sexo, é um assunto do poder civil, em que a Igreja não tem nada que meter o nariz.

 
At 11/10/2009 8:29 da tarde, Blogger André M. Palmeiro escreveu...

O meu espanto é justamente este: - O que é que a Igreja enquanto instituição tem de meter o bedelho no proclamado casamento civil; ninguém lhes está a pedir para sacralizar estas uniões, ou de um momento para o outro a igreja admite que os casamentos não passam disso mesmo, contratos, e não juras de eterna fidelidade...?

 
At 11/10/2009 10:31 da tarde, Blogger josé manuel faria escreveu...

- A Igreja Católica e outras têm todo o direito de opinar sobre todos os assuntos! Qual é o problema? E o contrário não acontece? Toda a "gente" opina sobre as Igrejas! Quem tem fé, segue ou não a ideia, quem não tem, não lhes passa bola.

 
At 11/11/2009 8:53 da manhã, Blogger Daniel Arruda escreveu...

José Manuel, o problem aé mesmo esse. Ainda não vi nenhum governo legislar ou intrometer-se sobre o celibato dos padres. Ainda não vi nemhum governo legislar sobre a qualidade, tamanho e peso da óstia.
Por isso a Igreja não tem o direito de opinar institucionalmente sobre o que é responsabilidade do legislador.
Caso não saibas a ICAR tem sede no Vaticano, que é um estado. Nesse estado a ICAR pode fazer o que quiser. No resto do mundo não. Nem em Portugal onde esa vergonhosa concordatalhe dá direitos e regalias acima de muitos outros.
Se a ICAR tem pretensões a legislar tem bom remédio. Oraganiza-se enquanto movimento ou partido e concorre às eleições ou então segundo a lei que vai saír organiza-se enquanto lobysta.

 
At 11/11/2009 10:21 da manhã, Blogger josé manuel faria escreveu...

Daniel,
"Se a ICAR tem pretensões a legislar tem bom remédio. Oraganiza-se enquanto movimento ou partido e concorre às eleições ou então segundo a lei que vai saír organiza-se enquanto lobysta."
- Estás a fazer fuga para a frente.
A ICAR dá opinião sobre o assunto, e defende as suas posições, o que é natural. Os cidadãos individualmente podem opinar, e uma organização, por ser religiosa não pode!
Há qualquer coisa que me escapa.

 
At 11/11/2009 11:56 da manhã, Blogger Daniel Arruda escreveu...

A ICAR não opina porque poe em marcha abaixo assinados e usa para isso os seus comícios que ocorrem semanalmente nas missas. A ICAR não opina porque não é idoelógica é doutrinária. A ICAR não opina porque condiciona de factos.
O que a ICAR faz é pressão e isso não é opinar.
Opinião é um padre ou um bispo emitir uma ideia dele que só o vincula a ele, não é a hierarquia da Igreja fazer um comunicado que apresenta o que acha bem segundo a sua doutrina.
Vamos por exemplos, a ICAr utilizar a sua hierarquia para incluir no texto do tratado constitucional da UE as referencias á tradição cristã não é opinar ou é pressionar. A Igreja atraves dos seus mais altos representantes (papa incluído) aparecer como elemento da campanha no aborto é uma forma de opinar ou de pressionar. A Igreja por ordens da sua hierarquia utilizar as missas como palcos de campanha é opinar ou pressionar. A Igreja através da sua mais alta hierarquai ameaçar excumungar todos os católicos gays é opinar ou é pressionar. A Igreja ameaçar governos a propósito da revisão da concordata, nomeando para o efeito altos representantes políticos portugueses é opinar ou é pressionar.
Podemos aqui jogar com as palavras mas a realidade é que a ICAR não opina. A ICAR quer fazer vingar a sua doutrina de um modo fundamentalista que no campo das palavras nada difere de outros fundamentalismos que o mundo ocidental combate.
E já agora a ICAR representa todos os que professem a fé da igreja e é esses que deve defender. Sempre que os direitos deles estiverem ameaçados como qualquer organização sindical. Neste caso concreto do casamento homosexual deverá fazer o mesmo. Se há os que são gays, acreditam e têm fé e querem casar a Igreja deve apoiá-los da forma que achar melhor. Em relação aos outros é um assunto que não lhes diz respeito. Nem sequer são católicos e a esses deve dar-lhes a liberdade de escolherem pois o casamento não poe em causa nenhum direito fundamental do ser humano. Seria quase tão rídiculo como um patrão querer impedir um muçulmano de não cumprir o ramadão. Desde que esse cumprimento não colida com os interesses do patrão o que é que ele tem a ver com isso.

 

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