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Quinta-feira, Setembro 13, 2007

As solidariedades do PCP

" Apesar dos métodos utilizados pelas FARC, "que o PCP não usaria", existe uma "grande solidariedade" com o movimento porque "a maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania, à sua liberdade" afirmou, na passada semana, Jerónimo de Sousa. (JN 7/9/2007)
Algumas perguntas que a presente visita do Dalai Lama me sugere, perante estas recentes afirmações do Sec. Geral do PCP:
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1 - Se PCP diz isto sobre as FARC, porquê tanta hesitação em receber o Dalai Lama?
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2 - Se a maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania e à sua liberdade, o PCP considera que a República Popular da China, viola gravemente os direitos humanos ao impedir, pela força, um povo de ser livre para decidir sobre a sua soberania, ou não?
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3 - Se existe uma grande solidariedade com as FARC, apesar destas utilizarem métodos que o PCP não utilizaria (acredito que Jerónimo de Sousa esteja a falar dos sequestros, das perseguições, dos assassinatos, do tráfico de cocaína), existe, então, uma semelhante solidariedade com o Dalai Lama, apesar deste usar métodos que, obviamente, o PCP não usaria?
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4 - Se Sócrates decidisse, este é mesmo só um "suponhamos", receber as FARC, em audiência oficial, o PCP insurgir-se-ia porque "não se pode ter relações económicas, políticas e diplomáticas com outros países" e depois "contrariar essa perspectiva"?
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5 - Haverá alguma hipótese de ver o Dalai Lama ser convidado para uma das próximas edições da Festa do Avante, para que o PCP lhe possa transmitir a sua "grande solidariedade" da mesma forma que faz com as FARC?

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33Comenta Este Post

At 9/13/2007 6:01 PM, Blogger Daniel Arruda escreveu...

Isabel, há coisas que não se perguntam porque 1: ou não têm resposta ou 2: A resposta é de tal maneira politicamente incorrecta que não pode ser dita.
Por isso vais ficar sem resposta.

 
At 9/13/2007 10:10 PM, Anonymous josé manuel faria escreveu...

Muito bem, Isabel. Há perguntas que não se fazem aos comunistas do PCP. As suas possiveis respostas são tão incoerentes que... o pcp não recebeu dalai lama em 2001, bem isso foi há muito tempo!!!.

 
At 9/13/2007 10:20 PM, Anonymous Anónimo escreveu...

Não recebeu nem em 2001 nem em 2007.

 
At 9/13/2007 10:55 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Daniel, pois, já calculava :)))

José Manuel, sabes que eu nunca entendi a mudança de posição do PC em relação à China? Ainda sou do tempo em que a China era apresentada como a renegada, e Mao como o traidor...depois da queda da União Soviética a Chima passou ser "amiga" e creio até que reiniciou o seu caminho para o Socialismo... Será que a China de hoje está mais próxima dos ideais do PCP do que a China de Mao? Ou era apenas uma questão de hegemonias? Ou o PCP precisa tanto de um exemplo que, na falta da URSS, se agarra à China e à Coreia, como "faróis"?
Olha, não sei, sei que recordando o que era a RPC para o PCP em 74 e 75, acho que deve ter acontecido alguma coisa na China que eu não vi (tirando a parte do capitalismo selvagem, de Tiananmen,e assim...).

Anónimo, tendo em conta que o Dalai Lama foi recebido na AR, um deputado da AR que esteja presente na audiência ao Dalai Lama, está a receber o Dalai Lama.
Em 2001, o PCP, não esteve presente, como sabe.

 
At 9/13/2007 11:53 PM, Anonymous Anónimo escreveu...

Em 2001 não houve nenhuma reunião da Comissão dos Negócios Estrangeiros com o Dalai Lama, em 2007 houve e quem o recebeu foi a Comissão.

 
At 9/13/2007 11:55 PM, Blogger Daniel Arruda escreveu...

Isabel, não viste logo. E o deputado do PCP que estava lá não estava. Era um holograma. Ou então não fazia parte da comissão de negócios estrangeiros.
Francamente!!!! Têm de explicar tudo.

 
At 9/14/2007 8:04 AM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Daniel, já que a contestação é apenas a uma afirmação do José Manuel e à minha resposta...presumo que a resposta às minhas perguntas é Sim.
Isto é, resumudindo, a China está a violar gravemente os direitos humanos ao não respeitar a liberdade do Tibete; o PC estaria contra as FARC serem recebidas poe Sóctates, por causa das relações diplomáticas com a Colombia; mais anos menos ano, o Dalai Lama estará na festa do Avante...e por aí adiante.

 
At 9/14/2007 1:48 PM, Anonymous Anónimo escreveu...

Estes tontos que andam agora a apoiar o latifundiário feudalista são exactamente os mesmos que acharam muita graça à ocupação da Torrebela! O que certa gentinha faz para cair nas boas graças do império!

 
At 9/14/2007 2:11 PM, Anonymous Anónimo escreveu...

Há as tias e os betinhos e os aspirantes a tias e betinhos que são sempre mais ridículos que os originais porque além do mais têm o hábito de marrar em manada e não passam de carneiros ranhosos.

 
At 9/14/2007 2:13 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Eu gosto destes anónimos!!!

 
At 9/14/2007 3:49 PM, Blogger Daniel Arruda escreveu...

E eu Isabel!!!! Para além do que se aprende aqui. Agora ficamos a saber que o líder espiritual budista, o Dalai Lama, não passa de um latifundiário feudalista.
Já não posso de tanto rir.

 
At 9/14/2007 6:28 PM, Anonymous Anónimo escreveu...

A quem interessa dividir a China e atiçar conflitos entre suas nacionalidades?

O jornalista francês Hubert Beuve-Mery, fundador do Le Monde, costumava insistir que “a missão do jornalista é saber e dizer o máximo possível”. Ainda há jornais e jornalistas que seguem esse preceito. Mas cresce o número dos que substituem qualquer esforço investigador pela reprodução acomodada de versões unilaterais e distorcidas dos acontecimentos.

A controvérsia sobre o Tibete é um bom exemplo. Livros, reportagens e documentários repetem, monocordiamente, os relatos e as acusações difundidas pelos separatistas tibetanos. Não entrevistam as autoridades atuais da região, nem os monges patriotas que apoiam a unidade da China. Não recorrem às informações e aos documentos oferecidos pelo governo central do país. Não consultam especialistas independentes. Se o fizessem, seria obrigados a reconhecer que a história da China, do Tibete e de suas relações mútuas é muito diferente da propagada pelos separatistas.

A polêmica envolve três questões básicas. Primeira: o Tibete é um país independente, invadido e ocupado pelos comunistas, à frente do Exército Popular, ou faz parte da China há 700 anos, tendo os comunistas apenas cumprido o dever de libertar e reunificar o conjunto do país? Segunda: antes de 1950, o Tibete era uma terra pacífica e feliz, governada por monges sábios e desprendidos como a mítica Shangri-la do novelista britânico James Hilton, ou penava sob um regime teocrático-feudal, atrasado e cruel? Por último, o que é melhor para as nacionalidades chinesas e para os povos do mundo nas vésperas do século XXI: a divisão e o dilaceramento da China, ou a preservação de sua unidade estatal e o progresso conjunto de suas nacionalidades?


O teto do mundo


A República Popular da China é um país enorme, formado por 23 províncias, cinco regiões autônomas, uma região especial, Hong Kong, e três municipalidades subordinadas diretamente ao governo central. O Tibete é uma das regiões autônomas. Cobre uma superfície de 1 milhão e 200 mil quilômetros quadrados, aproximadamente a oitava parte do território chinês, e abrange a capital, Lhasa, seis prefeituras e 76 distritos.

Localizado no sudoeste da China, o Tibete limita-se ao norte com a Região Autônoma de Xinjiang, ao nordeste com a província de Qinghai, ao leste com a de Sichuan, ao sudeste com a de Yunnan, e ao sul e ao oeste com os seguintes países, no sentido horário: Myanma ( antiga Birmânia), Butão, Sikkim ( principado de origem tibetana, anexado pela Índia em 1974), Nepal e Índia.

O Tibete ocupa a maior parte do planalto que leva seu nome, o mais alto de Terra, com uma elevação média de 4 mil metros. É, por isso, apelidado de Teto do Mundo. É praticamente cercado por cordilheiras: ao norte, a de Kunlun; ao leste, a de Tangula; ao sul e ao oeste, a do Himalaia. Nesta última, na fronteira entre o Tibete, na China, e o Nepal, ergue-se a montanha mais alta do planeta, com 8.848 metros, a Qomolangma Feng, ou “mãe sagrada das águas”, conhecida no Ocidente como monte Everest. No único intervalo entre as cordilheiras, no limite com a província de Sichuan, o Tibete é separado pelo rio Jinsha.

Aliás, os rios mais importantes da Ásia nascem no planalto tibetano: para o leste, os rios Amarelo ( Huang-ho) e Azul ( Yangtze Kiang), os principais da China; para o sul, o Mekong, que desemboca na costa do Vietnã, e o Yarlung Zangbo, que passa a chamar-se Brahmaputra na Índia e deságua no golfo de Bengala; para o oeste, o Indo e o Ganges, os principais da Índia.

É uma região rica em recursos naturais. Conta com enorme variedade de aves e animais e com mais de 5.700 espécies vegetais, inclusive plantas medicinais de grande renome, base da medicina tibetana tradicional. Já foram localizadas jazidas de 70 tipos de minerais e os recursos geotérmicos são abundantes, chegando a temperatura da água em alguns poços a 92 graus C.

Por sua diversidade, o Tibete pode ser dividido em três zonas naturais. A parte norte, onde se concentra a criação extensiva de iaques e ovelhas, tem altitude média de 4.500 metros, clima frio e seco, extensas pradarias e numerosos lagos, como o famoso Nam Co, o segundo maior lago salgado da China. A área oriental é constituída por uma série de montanhas elevadas e vales profundos, com a altitude variando entre 2 mil e 6 mil metros. É a zona mais inóspita. A neve perpétua nos cumes de suas montanhas é responsável pelo outro apelido, atribuído ao Tibete, de Terra das Neves. Nos vales do sul, cortados pelos rios Yarlung Zangbo e afluentes, a altitude média é inferior a 4 mil metros, o clima é temperado, a precipitação pluvial é copiosa e a vegetação arbórea, exuberante. Nessa área é que se concentram a população e as atividades agrícolas. É, por isso, conhecida como o celeiro do planalto.

Apesar da altitude, do ar rarefeito e do clima severo, o planalto tibetano começou a ser povoado no período neolítico. Por essa época, uma população já considerável se espalhava nas planícies centrais da China, entre os rios Amarelo e Yangtze.


China, um país milenar e multinacional


Para deslindar a controvérsia sobre o Tibete, é preciso entender a formação histórica da China. Trata-se de um país milenar, o único com aproximadamente 4 mil anos de história contínua, e também multinacional, integrado por 56 nacionalidades. A China não é, portanto, uma construção exclusiva da nacionalidade han, a majoritária. É um produto histórico da luta e do trabalho conjunto de todas as nacionalidades que a integram. Com uma trajetória tão longa, a China não podia escapar aos conflitos entre suas dinastias, nacionalidades e classes. Por mais de uma vez, foi unificada, dividida e reunificada. Se a convergência prevaleceu e se as nacionalidades chinesas estreitaram seus vínculos ao longo dos séculos, é porque perceberam, diante das ameaças exteriores, que só garantiriam sua independência comum e o desenvolvimento de suas economias e de suas culturas se aprofundassem as relações de unidade e cooperação.

Os vínculos entre as nacionalidades han e tibetana, por exemplo, remontam a tempos muito antigos. Uma prova indelével se encontra no idioma das duas nacionalidades: pertencem à mesma família lingüística, significativamente classificada como sino-tibetana. O próprio budismo, que iria marcar tão profundamente a cultura tibetana, foi introduzido na região pelo norte da Índia e pelo Nepal, mas também pela Mongólia e pela China central. No século VII, quando as tribos do planalto tibetano formaram seu primeiro Estado unificado, o reino de Tubo, dois de seus soberanos casaram-se com princesas de origem han, firmaram uma aliança política com a dinastia Tang, das planícies centrais da China, e intensificaram o intercâmbio econômico e cultural entre as duas nacionalidades.

O reino de Tubo desapareceu em meados do século IX, quando o rei Langdama foi assassinado por fanáticos religiosos. Durante 400 anos, o planalto tibetano foi sacudido por separatismos e por guerras, com principados e mosteiros lutando entre si. Por coincidência, na mesma época, as planícies centrais e o sul da China eram conflagrados por disputas dinásticas intermináveis. Ainda assim, o intercâmbio entre as duas nacionalidades não se interrompeu, desenvolvendo-se inclusive uma nova modalidade de comércio, a troca de chá chinês por cavalos tibetanos. E quando, no século XIII, o mongol Kublai Khan reunificou a China e fundou a nova e poderosa dinastia Yuan, o Tibete foi incorporado ao Império do Meio como uma de suas províncias. O italiano Marco Polo, que visitou a corte de Kublai Khan e registrou as observações de sua viagem, descreve o Tibete como uma das 12 províncias do império.


O Tibete, parte da China


Desde então, há 700 anos, o Tibete faz parte da China. Assim permaneceu nas dinastias Ming e Qing, que se seguiram. Quando a República foi proclamada, seu primeiro presidente Sun Yat-sen, declarou no discurso de posse em primeiro de janeiro de 1912: “O fundamento desta República baseia-se no povo, que integra todas as zonas hans, manchus, mongóis, huis e tibetanas num único Estado”. A República Popular, proclamada em 1949, estendeu o reconhecimento às demais nacionalidades.

A subordinação do Tibete aos sucessivos governos da China, desde o século XIII, evidencia-se na presença de representantes do poder central em Lhasa; na nomeação e julgamento de funcionários locais; no envio de tropas para defender as fronteiras e manter a ordem interna; na condução centralizada das relações exteriores; na imposição de leis, decretos e regulamentos; na realização de censos demográficos; na cobrança de tributos; na redefinição de órgãos e divisões administrativas internas. É importante ressaltar também que, desde o século XIII, nenhum país reconhece o Tibete como um Estado separado da China.

Outra prova da incorporação do Tibete à China é a participação de delegados tibetanos em órgãos executivos e legislativos do poder central, desde a dinastia Yuan. O próprio entrelaçamento entre o poder político e o poder religioso no Tibete nasceu com sua integração na China, quando Kublai Khan, para facilitar a pacificação do planalto tibetano, aliou-se com a influente seita budista de Sagya, tendo o cuidado, no entanto, de repartir cargos e títulos equitativamente entre lamas e nobres leigos. Durante a dinastia Ming, cresceu a influência da seita Kargyu, ou Branca, sobrepujada durante a dinastia Qing pela seita Gelug, ou Amarela, quando os abades dos mosteiros de Drepung, em Lhasa, e de Trashilhunpo, em Xigaze, desta seita, tiveram seus títulos e atribuições de Dalai-Lama e de Panchen-Erdeni confirmados pela corte imperial. Finalmente, em meados do século XVIII, a corte Qing determinou que o sétimo Dalai-Lama assumisse a liderança do governo local do Tibete. Porque o Dalai-Lama e o Panchen-Erdeni acumulam funções religiosas e políticas, a escolha de seus sucessores passou a depender de confirmação final pelo governo central da China. A escolha e a entronização do atual Dalai-Lama foram confirmadas pelo governo nacionalista da República da China em 1940.

É sabido que a China passou por fases de divisão e enfraquecimento do poder central, quando os governos locais, não só o do Tibete, adquiriam grande autonomia, muitas vezes estimulados por potências estrangeiras, interessadas em arrebatar fatias do território chinês. Foi assim que a Rússia czarista ocupou uma parte da Mongólia e a dividiu em Mongólia Exterior e Mongólia Interior. Ou que o Japão invadiu a Mandchúria e tentou restabelecer, sob seu controle, a dinastia Manchu dos Qing, derrubada pelo movimento republicano. Da mesma forma, a Grã-Bretanha, já senhora da Índia, do Butão do Sikkim e do Nepal, combinou seus ataques ao litoral chinês com a invasão do Tibete em 1888 e 1903 e com as tentativas de impor à China o Tratado de Lhasa e a Convenção de Simla. A propaganda separatista, tão estridente contra a China, silencia sobre essas agressões britânicas e os saques perpetrados pelas tropas de Sua Majestade, assim como não menciona a tentativa indiana de invocar a Convenção de Simla para arrebatar da soberania chinesa uma parcela do planalto tibetano, o que levou em 1962 a um conflito fronteiriço entre os dois países.

A ocupação britânica do Tibete não vingou, mas a grande potência imperialista arrancou concessões e passou a estimular, entre lamas e nobres tibetanos, um movimento pela independência, isto é, pela separação do Tibete, para colocá-lo sob controle ocidental. Após a Segunda Guerra Mundial e com a avanço da revolução popular na China, os Estados Unidos aderiram aos intentos britânicos, reforçando o movimento separatista com agentes, armas, treinamento, propaganda e apoio diplomático. O Partido Comunista e o governo popular, instalado em Pequim em primeiro de Outubro de 1949, tinham o dever, portanto de concluir a libertação e a reunificação da China, defendendo, como no passado, as fronteiras históricas do país.

Ainda assim, não se pode acusá-los de agir precipitadamente. Entre Outubro de 1949 e Outubro de 1950, fizeram repetidas gestões para que o governo local negociasse as condições de libertação pacífica do Tibete. Mas o governo tibetano, dominado pela facção pró-ocidental, preferiu concentrar tropas na margem do rio Jingsha. Diante da intransigência, o governo central determinou que o exército popular transpusesse o rio e entrasse no Tibete, travando-se a batalha de Qamdo entre 6 e 24 de Outubro de 1950, a única na libertação do Tibete. Derrotadas as tropas locais, o Exército Popular interrompeu seu avanço, enquanto o governo de Pequim insistia nas negociações.

O confronto, no governo e na classe dominate do Tibete, entre a facção pró-ocidental e o sector favorável à negociação se aprofundou, o regente foi afastado, o décimo quarto Dalai-Lama, ainda menor de idade, assumiu a liderança e nomeou negociadores. Em contrapartida, retirou-se para Yadong, na fronteira com a Índia. Alguns meses depois, em 23 de Maio de 1951, em Pequim, os delegados do governo central e local assinaram o Acordo dos 17 Artigos, que reconhecia a unidade da China e a autoridade do governo popular sobre todo o território nacional, mantendo temporariamente os governantes e as instituições do Tibete até que fosse negociada a reforma democrática pacífica da região. Em 24 de Outubro de 1951, o décimo quarto Dalai-Lama telegrafou ao presidente Mao Zedong, aprovando pessoalmente o acordo, e retornou a Lhasa. O Exército Popular entrou na capital tibetana em 26 de Outubro de 1951, após o regresso do Dalai-Lama e com seu consentimento. O montanhista austríaco e militante nazista Heinrich Harrer, autor de Sete anos no Tibete, geralmente muito tendencioso em seus relatos, reconhece: “Deve-se dizer que durante essa guerra as tropas chinesas se mostraram disciplinadas e tolerantes e os tibetanso que foram capturados e depois libertados diziam que haviam sido bem tratados.”

Em 1954, o décimo quarto Dalai-Lama participou da primeira Assembléia Nacional Popular da China, que elaborou a Constituição da República Popular, tendo sido eleitos um dos vice-presidentes do Comitê Permanente dessa Assembléia. Na ocasião, pronunciou um discurso afirmando: “Os rumores de que o Partido Comunista da China e o governo popular central arruinariam a religião do Tibete, foram refutados. O povo tibetano tem gozado de liberdade em suas crenças religiosas.” Em 1956, assumiu a presidência do comitê provisório encarregado de organizar a região autônoma do Tibete. As relações entre os governos central e local estavam, portanto, normalizadas.


O levante contra a reforma democrática


O conflito ressurgiu quando se cogitou em promover a reforma democrática do Tibete, separando a religião do Estado, abolindo a servidão rural e a escravidão doméstica e redistribuindo a propriedade das terras e dos rebanhos, monopolizada pela aristocracia civil e pelos mosteiros. A facção pró-ocidental, aproveitando-se da insatisfação entre lamas e nobres, retomou a ofensiva. Agitando as bandeiras separatista e religiosa, e apoiada pela CIA cada vez mais desinibidamente, como hoje se reconhece, essa facção fundou uma organização política, a “Quatro Rios e Seis Montanhas”, e uma organização militar, o “Exército de Defesa da Religião”, e iniciou em 1956 ataques armados a funcionários e prédios públicos, a obras de infra-estrutura e até mesmo a tibetanos que apoiassem o movimento democratizador.

Reagindo com prudência, o goverrno central propôs adiar a reforma democrática, até que se chegasse a um acordo satisfatório sobre prazos e requisitos para sua implementação. Mas a facção contra-revolucionária intensificou os ataques e, aproveitando-se de um festival religioso em Lhasa, desfechou uma insurreição na capital em 10 de Março de 1959, retirou o Dalai-Lama para a Índia e generalizou os conflitos. O governo central considerou, então, rompido o acordo de 1951, destituiu o governo teocrático, transferiu suas atribuições para o Comitê Organizador da Região Autônoma e determinou ao Exército Popular que restabelecesse a ordem no planalto.

A guerra que se seguiu, entre 1959 e 1961, não se travou entre dois países, mas entre duas coalisões sociais. De um lado, as forças imperialistas, interessadas na divisão da China, e a facção de lamas e nobres empenhados na preservação do regime teocrático-feudal; de outro lado, o governo popular central e os monges, nobres, servos e escravos comprometidos com a unidade nacional da China e com a reforma democrática do Tibete. Não foi uma guerra nacional, nem religiosa, mas um conflito semelhante à guerra civil que opôs, nos Estados Unidos, o norte abolicionista ao Sul escravocrata. Ninguém recusa ao governo de Washington o direito de ter recorrido às armas para salvaguardar a unidade nacional e garantir o fim da escravidão.

Muitos têm dificuldade para entender a natureza social do conflito, porque não prestam atenção no regime político-econômico que vigorava no Tibete e nas áreas tibetanas das províncias vizinhas. Aliás, o décimo quarto Dalai-Lama e seus adeptos falam o menos possível do regime antigo. O feudalismo se generalizou após o colapso do reino de Tubo, em meados do século IX; a teoria budista se consolidou em meados do século XVIII. Mas, ainda em 1959, os lamas da camada superior, os nobres leigos e seus agentes representavam 5% da população; os servos e os escravos correspondiam a 95%. Os primeiros, especialmente os membros das 400 famílias mais importantes, viviam no fausto; a maioria dos lavradores, pastores e serviçais sobrevivia em extrema penúria. O contraste entre ricos e pobres penetrava nos próprios mosteiros, conforme descreve uma testemunha insuspeita, o décimo quarto Dalai-Lama, em sua autobiografia.

Das terras agriculturáveis, segundo levantamento de Junho de 1959, o governo local detinha e administrava directamente 38,9%; os mosteiros, 36,8%; os aristocratas leigos, 24%. A pequenos camponeses cabiam os 0,3% restantes. Os nobres e os mosteiros possuíam também a maior parte dos rebanhos. Para lavrar as terras e cuidar dos rebanhos, nobres, mosteiros e funcionários recorriam ao trabalho de servos.

Para ter acesso à terra arável e às pastagens, os servos, 90% da população, eram forçados a pagar aos nobres e mosteiros uma renda, principalmente sob a forma de corvéia ou renda em trabalho, secundariamente sob a forma de renda em produtos, e às vezes em dinheiro. Arcavam também com pesados tributos e taxas, pagos em serviços e em dinheiro. Sem recursos suficientes, endividavam-se com os nobres e, principalmente, com os mosteiros, pagando elevados juros. Se morriam sem saldar a dívida, ela passava aos descendentes ou aos vizinhos.

Para os escravos, 5% da população, provavelmente uma sobrevivência do passado pré-feudal, ficavam os serviços domésticos e públicos mais pesados, como a limpeza, o despejo de fezes, o transporte de carga e o transporte de nobres e funcionários, em liteiras ou nas próprias costas. Os filhos de servos e escravos não eram registrados em cartórios públicos, mas nos livros de seus senhores, a quem competia também autorizar os casamentos. Servos e escravos podiam ser trocados, doados, emprestados ou mesmo vendidos. Para os pobres, não havia hospitais, nem escolas. As guerras e epidemias dizimaram a população.

As leis confirmavam essa estrutura desigual, dividindo a população em três estratos e nove graus, com direitos e deveres distintos. Não havia, portanto, igualdade jurídica, nem mesmo para as mulheres do estrato dominante. Se um nobre matava um servo ou um escravo, pagava uma indemnização. Mas, para servos e escravos que agredissem um nobre ou furtassem um bem, os códigos previam penas cruéis, como espancamentos brutais, mutilação de mãos ou pés, extracção dos olhos. Até entre os monges, a disciplina era mantida à custa de chicotes e surras, como relata o Dalai-Lama em sua autobiografia. Além de uma prisão pública e precária em Lhasa, havia guardas, tribunais e cárceres privados nos mosteiros e nas grandes propriedades.

Os monges da camada superior e os nobres mais influentes monopolizavam os direitos políticos. O Dalai-Lama encabeçava o governo desde meados do século XVIII. Os demais cargos eram repartidos entre lamas e nobres leigos. A Seita Amarela, do Dalai-Lama, era privilegiada em relação às demais seitas e o budismo tibetano, em relação às demais religiões.

O Tibete antigo não tinha nada de idílico, portanto. É espantoso que se invoquem os “direitos humanos” para defender esse regime opressivo e cruel, em que a maioria da população, formada por servos e escravos, não gozava de liberdade pessoal, nem dispunha de qualquer direito político.


A unidade, garantia do avanço


Rompido o acordo de 1951 pelo décimo quarto Dalai-Lama e seus adeptos separatistas, o governo central aboliu o regime teocrático, revogou as leis e códigos desiguais, fechou os tribunais e cárceres privados, emancipou os servos e os escravos, cancelou as dívidas que os sufocavam e procedeu à redistribuição gradativa e cuidadosa das terras e dos rebanhos, indenizando os proprietários que apoiassem a reforma democrática. Restabelecida a ordem e concluída a reforma agrária, foi iniciada a implantação do sistema de assembléias e comitês populares, com a eleição das assembléias distritais em 1964. Estas elegeram as assembléias municipais, que por sua vez escolheram a Assembléia Regional Popular em 1965, instituindo-se a Região Autônoma do Tibete. Dos 301 delegados à primeira assembléia, 226 eram tibetanos, a maioria servos e escravos emancipados, mas havia também monges, ex-nobres patriotas e, pela primeira vez em cargos públicos, mulheres. Desde então, a Região Autônoma do Tibete já teve quatro presidentes leigos, todos tibetanos.

Os erros cometidos pela chamada Revolução Cultural entre 1966 e 1976, no Tibete como em toda a China, suscitaram novos atritos, de que se aproveitaram os separatistas para promover distúrbios violentos em Lhasa, entre 1987 e 1989, numa iniciativa orquestrada com as manifestações antigovernamentais em Pequim e com a crise dos países socialistas na Europa Oriental. Mas o Partido Comunista e o governo popular da China venceram essas duras provas, preservando as conquistas revolucionárias, corrigindo os erros e restabelecendo as políticas de liberdade religiosa, de frente única com todos os setores patrióticos e de respeito mútuo entre as nacionalidades. É claro que a China ainda é um país pobre e que o Tibete é uma de suas regiões menos desenvolvidas. É indiscutível também que ainda existe muito que aprender no aprimoramento das democracias socialistas e no desafio de conjugar a preservação das culturas tradicionais com o desenvolvimento de culturas novas e progressistas. Contudo, quem investiga com isenção, não pode deixar de reconhecer os avanços políticos, econômicos e culturais obtidos com a libertação e a reforma do Tibete nas últimas décadas.

Essa experiência positiva, contraposta ao colapso da União Soviética e ao dilaceramento da Iugoslávia, confirma que a união, não a divisão, é que pode assegurar o desenvolvimento conjunto das nacionalidades integrantes de países como a China. Rompida a unidade, abandonado o caminho socialista, na União Soviética e na Iugoslávia, perderam-se também as conquistas democráticas, reacenderam-se as chamas de conflitos étnicos e religiosos, reabriu-se o perigo de propagação de guerras devastadoras.

Certo estava o nono Panchen Erdeni, o segundo lama na hierarquia do budismo tibetano, quando escreveu em 1929: “Por suas relações históricas e geográficas, nem o Tibete pode ser independente da China, nem a China do Tibete. Assim, ambos serão beneficiados se permanecerem unidos, enquanto a separação prejudicará a ambos.”
http://www.vermelho.org.br/museu/principios/anteriores.asp?edicao=53&cod_not=429

 
At 9/14/2007 8:07 PM, Blogger David Lourenço Mestre escreveu...

O mal do pcp não está na posição do seu secretário geral, um conhecimento vago da História das Ideias Políticas leva-nos a Rousseau e a sua definição peculiar de liberdade. Rousseau entendeu que “o homem nasce livre e está em toda a parte a ferros.” A liberdade suprema só podia ser alcançada se os cidadãos abdicarem das suas liberdades mesquinhas entregando-as e entregando-se ao colectivo. Rousseau julgava que o homem assim era libertado num sentido mais profundo que apenas o estado conhecia. Escusado será dizer que não há tirano ou totalitario que não se tenha servido deste vil paradoxo.

Para comunistas os colombianos poderão não conhecer a liberdade, mas os tibetanos conhecem

 
At 9/15/2007 12:10 AM, Anonymous Anónimo escreveu...

Ainda há bestas por aí que acham que o estafermo não é um latifundiário feudalista?

 
At 9/15/2007 4:49 PM, Anonymous Anónimo escreveu...

Mais uma vez foram buscar lã e sairam tosquiados.

 
At 9/15/2007 10:34 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Pois é querido anónimo, ainda há bestas por aí que acham que os EUA fizerem bem em invadir o Iraque...já agora até teriam razão em invadir o Irão...ah e que adoram esta linguagem. Antiga. Tão, mas tão (re)conhecida.
Minha cara, não vale a pena, mesmo...

 
At 9/15/2007 10:47 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

David, a qestão é que não foram, mesmo, só os "comunistas" (desculpa lá as aspas,não as dispenso, malgré tout...) que foram buscar a sua forma de analisar e "contabilizar" e viver a/em liberdade em Rousseau.
O seu último parágrafo poderia ser, alterando os factores, aplicado a muitos que, supostamente, se encontram do outra lado da "barricada".

Para os conservadores, os liberais ou o neo as duas coisas ou uma delas (já para não falar na variedade de ditadores que você fala, de outras cores e feitios), os tibetanos poderão não conhecer a liberdade, mas os colombianos conhecem.

 
At 9/16/2007 12:55 AM, Blogger David Lourenço Mestre escreveu...

Também deixei assente que “escusado seria dizer que não há tirano ou totalitario que não se tenha servido deste vil paradoxo.” Isso aplica-se a todos os tiranos

Bom, eu não alinho em relativismos. Os colombianos, malgrado as limitações – se existem – conhecem a liberdade. Os tibetanos vivem há muito debaixo de uma masmorra totalitária, sobre a pata de um estado concentracionario. Aqui não alinho na sua visão. Embora reconheça que a china está a mudar, para melhor, e que no fundo da linha poderá eventualmente encontrar um regime apoiante de soluções democráticas

 
At 9/16/2007 1:23 AM, Blogger David Lourenço Mestre escreveu...

A guerra do Iraque não pode ser desligada do 11 de Setembro. Sem 11 de Setembro a guerra do Iraque nunca teria acontecido. A opção de invasão foi controversa, e, má ou boa, revolucionária. Que numa visão utilitarista, que helvetius não nos ouça, entende-se. A moral não é para aqui chamada quando somos a criatura que vê o passado, o presente e o futuro. Os norte-americanos não são essa criatura e tal como em dresden, hiroshima e nagasaki, a opção foi acompanhada de todos os demónios que povoam a alma humana. Quem tomou a opção poderá está arder nos fogos do inferno mas garantiu um futuro sem o nazismo e um Japão integrado no cosmos ocidental, seja lá o que isso possa significar nos dias de hoje. O Iraque pode não ser num futuro próximo uma Alemanha, um Japão, uma Itália ou uma Coreia do Sul. Mas nada nos impedia em 2003 de assumir o contrário.

 
At 9/16/2007 12:42 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

"Embora reconheça que a china está a mudar, para melhor, e que no fundo da linha poderá eventualmente encontrar um regime apoiante de soluções democráticas",pois è David eu não concordo nada que a China esteja a mudar para melhor. Ou não.
Continuo sem conseguir classificar como melhor ou como pior (pelo menos, assim, numa caixa de comentários, duma forma tão superficial como a que cabe numa caixa de comentários) o capitalismo selvagem, a Revolução Cultural ou o Socialismo real...não me parece que o trabalho sem dignidade e sem direitos, a praga do trabalho infantil seja augúrio de que se caminha para melhor...apesar de a liberdade individual já permitir que se coma num McDonalds...ou as opções estratégicas de Pequim já passem por relações amistosas com o Ocidente.

 
At 9/16/2007 12:51 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Ah e quanto ao seu segundo coemntário, aí perdoe-me mas não concordo mesmo nada. A invasão do Iraque não aconteceu, no meu entender, por causa do 11 de Setembro...ou pelo menos, por causa da forma que se depreende do seu comentário. A invasão do Iraque foi uma tentativa canhota de mostrar força para compensar a tragédia e a vulnerabilidade do 11 de Setembro. Só que atingiu o alvo errado (Bin Laden continua vivo, ao que parece, e a morte de Sadam não touxe a paz nem a Democracia ao Iraque nem a segurança ao Mundo)e está longe de alcançar algum dos objectivos que dizia propôr-se.
Permita-me não acreditar, portanto, que em 2003, Bush e os seus aliados tivessem como objectivo tornar o Iraque, uma Alemanha ou uma Itália.

Quanto a Hiroshima e ao resto, a teoria de que os meios possam justificar os fins nunca será uma teoria revolucionária. Nem democrática. Pode ser humana, mas não humanista.

 
At 9/16/2007 12:59 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

David, esqueci-me: de qualquer forma o meu comentário anterior mais do que tomar uma posição sobre a invasão do Iraque, que obviamente tenho e ao usar o termo "invasão" se depreende, era a de denunciar a postura daqueles que consideram haver agressões boas e más, invasões boas e más, injustiças boas e más, violência boa e má, conforme seja feita por amigos ou por inimigos... isto é, aqueles que criticam a ocupação do Iraque ou as perseguições na Colombia e calam e desculpam a ocupação do Tibete ou os atentados aos direitos humanos na Coreia, por exemplo.

 
At 9/16/2007 2:50 PM, Blogger David Lourenço Mestre escreveu...

A china está a mudar. Garanto-lhe que os países que conseguiram alcançar a ordem mais justa como o Japão, a Coreia do sul ou os países escandinavos ao longo do seu trajecto em direcção ao presente também conheceram o trabalho infantil e outras abjecções do mesmo calibre.

Quem visita Pequim, Chongqing, Nanjing, Guangzhou, Shanghai, Shenzhen ante os novos arranha-ceus, as novas praças e ruas, os novos bairros que acolhem a crescente classe media, não deixa de sentir o acordar de uma potência e não se questionar se a china não irá seguir as pegadas de Singapura, Hong Kong, Coreia do Sul ou Japão à sua escala.

 
At 9/16/2007 4:41 PM, Anonymous Anónimo escreveu...

e eu a pensar que a invasão do Iraque era por causa do petróleo mas a idiota útil diz que que não...

 
At 9/16/2007 6:37 PM, Blogger David Lourenço Mestre escreveu...

Um ponto, Isabel: a invasão do Iraque foi de facto uma revolução. Um conservador jamais aprovaria tal traição, muito menos um liberal.

 
At 9/16/2007 9:10 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Ai, David, agora é que me deixou baralhada... Das duas uma, ou esaas suas afirmações são mesmo demasiado profundas para mim...ou o seu conceito de Revolução, de conservadores, de liberais e de traição não tem nada a ver com o meu.

 
At 9/16/2007 10:23 PM, Blogger David Lourenço Mestre escreveu...

Espalhar democracia à bomba ou pelo cano da espingarda é uma ideia revolucionária. Tal como todos os revolucionários deste mundo esperavam espalhar a revolução e os seus ideais a toda a terra habitada, assim foi com os revolucionários franceses e os jacobinos quando esticaram a revolução às restantes nações europeias, e assim foi com os soviéticos em africa, américa latina e na asia.

A descrição de um governo conservador de Oakeshott ajuda. Para ele o governo não deve impor qualquer crença de teor perfeccionista ou conduzir as actividades dos individuos, mas apenas regrar e administrar o jogo social, gerir o debate sem impor a sua voz. O governo de acordo com um conservador não se orienta pela utopia de um mundo melhor, e a sua vereda é o controlo jurídico dos assuntos mundanos. Politicamente, interessa a um conservador interiorizar que o exercício do governo é uma actividade específica e limitada. Que mais não deve ser do que prover a sociedade com regras gerais de conduta e jamais imposições abusivas.

Os liberais são criaturas cujo escopo é zelar pela liberdade do individuo e dignidade da pessoa humana. Tal como Karl Popper os definiu: “Respeita antes de tudo a independência, a autonomia intelectual do outro, a tal ponto que não deseja convence-lo no que toca a questões importantes, preferindo antes suscitar os seus protestos, a sua critica.” Nutrem consequentemente uma natural antipatia pela arbitrariedade e violencia, sobretudo quando andam de mão dada.

Conservadores e liberais não são seres artilhados da armadura ideológica para partir para uma guerra messiânica e utópica. Só os revolucionários

 
At 9/17/2007 9:55 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

David, essa sua argumentação parece um bocadito do tipo pescadinha de rabo na boca. Acho que anda à voltas e vai ter ao mesmo lugar...apenas lhe digo que, para além de lhe achar o tal ar um tanto redondo, paratt de algumas permissas, para mim, erradas. Que o imperialismo americano e soviético tenham /tivessem como objectivo espalhar a Democracia ou a Revolução, por exemplo.

 
At 9/18/2007 12:37 AM, Blogger David Lourenço Mestre escreveu...

Não, os conflitos durante a guerra fria visavam a contenção e garantir a dissuasão apropriada à expansão soviética. Não eram acções mas sim reacções. Tem um cariz distinto do conflito no Iraque.

 
At 9/20/2007 9:26 PM, Anonymous lronor simões escreveu...

O QUE É ESPANTOSO É QUE AO FIM DE 29 COMENTÁRIOS NINGUÉM TENHA REPARADO QUE A ISABEL FARIA ou o JN FAZEM UM TRUQUE NAS CITAÇÕES DE JERÓNIMO DE SOUSA.

Com efeito a «grande solidariedade» por via das aspas está atribuída ao Sec-Geral do PCP mas «com o movimento» como já não está entre aspas não foi dito por J. de Sousa.

Aliás não se percebe o recurso a esta notícia do JN quando em entrevista ao Público Jerónimo de Sousa exprimiu o seu pensamento de forma clara e que dispensa este truque de ora cita ora faz de conta que cita.

 
At 9/20/2007 9:55 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Leonor, a notícia do JN era esta (no parágrafo que você refere):
" Apesar dos métodos utilizados pelas FARC, "que o PCP não usaria", existe uma "grande solidariedade" com o movimento porque "a maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania, à sua liberdade" afirmou."
Se há truque a Leonor ou o Jerónimo de Sousa deverão, ao abrigo da Lei de Imprensa, reclamar ao Jornal.

No entanto,pelo contexto, não se entende muito bem a quem o Jerónimo de Sousa se pode referir...mas, repito, quem lhe poderá responder é o JN...ou o Jerónimo de Sousa, não eu.

Quanto a ter usado a notícia do JN e não a do Público, era o mais me faltava ser a Leonor ou quem quer que seja a escolher "as fontes" que eu devo usar para fazer os meus posts.
No entanto, na notícia do Público on Line, está escrito este parágrafo:
"Apesar dos métodos utilizados pelas FARC, "que o PCP não usaria", existe uma "grande solidariedade" com o movimento porque "a maior violação dos direitos humanos é impedir que um povo tenha direito à sua soberania, à sua liberdade" afirmou."...
...pois é igual. Por isso pela sua opinião vou ter que fazer posts basados no Público...mas não pode ser na edição on line...olhe isso ainda lhe posso prometer menos, do quer usar as fontes que você aconselha...é que há muito deixei de comprar o Público em papel...costumo ser cuidadosa na forma como gasto o meu dinheiro e deixei de achar o Público merecedor dele. Desculpe, e se puder apresente as minhas desculpas ao JMF.

 
At 9/20/2007 9:57 PM, Blogger Isabel Faria escreveu...

Ups...troquei-lhe o nome...aqui é mesmo só a si que envio as minhas desculpas. Juro que li Leonor.

 
At 9/21/2007 5:10 PM, Anonymous leonor simões escreveu...

A Isabel não pecebeu que me referia a uma recente entrevista do Público ao Jerónmo de Sousa, salvo erro na véspera da Festa do Avante!, tipo pergunta-resposta, o que é muito diferente de notícias em que ora se cita ora não se cita mas se cria no leitor a ideia de que mesmo o que não está entre aspas também foi dito pelo político em causa.

 

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