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segunda-feira, outubro 15, 2007

Obrigado Adriano - I



Quando os meus pais partiram para França, menina ainda, não conhecia Adriano. Enquanto eles lá estiveram sim. Em casa de amigos, baixinho,às escondidas dos meus avós, mostrado pelo meu tio, ou, mais tarde, na Livraria do Castela, em Santarém, ao fundo, nos bancos suficientemente longe da porta de entrada, para que ele pudesse controlar a esquina da rua de onde a qualquer momento "eles" podiam aparecer, quando ouvia o Cantar da Emigração, sentia que ninguém tinha o direito de os ter tirado de mim.
Só algo mais tarde entendi que havia outras partidas. Outros "emigrantes". Que semeavam campos de solidão noutras paragens. Não para fugir à fome. Para fazer a guerra.
Hoje, tantos anos depois, ainda recordo o sabor amargo do chocolate branco que a minha mãe trazia no Natal. Ou a primeira carta de Tete, do meu tio.

Este video, para além da música de Adriano, traz-nos imagens que me são ainda tão familiares. È nestas ocasiões que temos a certeza que a memória é o que dela quisermos fazer. A de Adriano ficar-me-á, antes de mais, ligada, à ausência dos meus pais, ao medo de ver o Niassa partir, aos primeiros contactos com quem resistia, mas, sobretudo, à certeza de que um dia eles voltariam. E que "Galiza" voltaria a ter gente.

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5Comenta Este Post

At 10/15/2007 10:19 da tarde, Anonymous Anónimo escreveu...

Li e não acreditei.

A Camara de Lisboa votou hoje uma proposta que permite aos vereadores terem assessores a 4.000 por mês.

PCP, Helena Roseta, Carmona, PS, PSD, votaram favoravelmente.

O Sá Fernandes votou contra.

Vide blogue Gente De Lisboa

 
At 10/15/2007 11:19 da tarde, Blogger samuel escreveu...

Muito bonito!
O texto, a história, tudo.

 
At 10/15/2007 11:46 da tarde, Blogger JS escreveu...

Passei muitas tardes a ouvir Adriano, Zeca, Luís Cília e também Aguaviva, Paco Ibañez, Patxi Andion, Leo Ferré, Jacques Brel e tantos que só se ouviam na antiga Apolo do saudoso Castela. Ele deixava-nos ouvir todos os discos e ler os livros sem termos que os comprar. Era uma espécie de tio da malta. Por isso, devemos ser primos.
Abraço
JJS

 
At 10/16/2007 8:35 da manhã, Blogger Isabel Faria escreveu...

Anónimo, ainda não li a noticia. Já lá vou.

Samuel, obrigado.

JS, bom dia "primo".
Pois era assim mesmo como dizes...e a expressão "tio da malta" é muito feliz. O Castela era isso.
Mas então, és tu que me vais ajudar:
O tempo ai passando e as memórias vão-se "turvando". Mesmo a boas.
Um dia, anos mais tarde, já o Castela doente, encontrei-o à porta da Ribatejana e no meio da conversa, perguntei-lhe se ele não tivera medo de a Pideentrar pela Livraria adentro, enquanto nós ouviamos as músicas e liamos os livros...ele disse-me que os controlava da porta. Do lugar onde estava se eles se aproximassem da esquina...ele punha um "fandango" no gira-discos.
O meus amigos, os outros nossos primos, garantem que ele não via a esquina...e que não tinha fandangos. Terá sido, assim, uma forma de me dizer que "eles" não tinham nenhuma importãncia, que os ignorava? ou do lugar onde esle estava, via, de facto, os bufos aproximarem-se?
Só uma ajuda...não que tenha importância, mas porque sabe bem...lembrar.
Um abraço.

 
At 10/22/2007 4:30 da tarde, Blogger JS escreveu...

Olá prima (estou muito convencido que és mesmo prima sem aspas)
O Castela não devia ter fandangos. Mas seguramente não tinha era grande medo a pide. Ou talvez tivesse, porque parece que teve algumas visitas indesejáveis daquelas que levavam livros (deixavam outros muito mais subversivos, mas também não se podia exigir grande cultura a um pide), mas acho que ele dizia isso para que a malta não ganhasse medo e continuasse a subir às oliveiras (lembro-me bem do teu vizinho Zé).
Fica marcado já encontro na terra um fim de semana destes.

 

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