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quarta-feira, novembro 07, 2007

Revolução Russa

Comemora-se hoje o 90º Aniversário da Revolução de Outubro.
O Daniel Oliveira comemora o aniversário no
Arrastão. Está lá tudo.
Para além de vos convidar a fazer uma visita, subscrevo quase na integra o último parágrafo do Daniel:
"O que celebro aqui hoje não é, na realidade, a chegada do comunismo a terras russas. O que se passou nos 70 anos seguintes à revolução na URSS foi suficientemente trágico para tal não merecer grandes festejos. O que celebro aqui hoje é esse momento em que tudo pareceu possível e o que essa simples esperança fez pela dignidade de milhões de homens e mulheres em todo o planeta."

Também eu celebro, noventa anos depois, o momento em que pareceu possível que se pudesse construir um Mundo novo. Os dias em que os trabalhadires e os explorados em todo o Mundo acreditaram que poderiam ser os obreiros do seu futuro.
Também eu não comemoro os 70 anos que se seguiram (nem os vinte que se seguiram aos setenta, acrescento).
A minha discordância com o Daniel é quando ele escreve que há 90 anos o comunismo chegou a terras russas. Por muitas dúvidas que o tempo se tenha encarregue de me trazer sobre a viabilidade, sobre os caminhos, sobre a própria "semente" de que fala o Daniel, continuo com uma certeza. O Comunismo não chegou à Rússia em 1917. Ou à China em 49. Ou a Cuba em 59. Não o da abolição da propriedade privada. Não o do controle dos meios de produção pelos trabalhadores. Não o da abolição do Estado. Não o de cada um segundo as suas possibilidades, a cada um segundo as suas necessidades. Não o do "proletários de todo o Mundo, uni-vos".

O Comunismo não é aquilo em que o transformaram. TAMBÉM é aquilo em que o transformaram.
E creio que é, afinal, na distância entre o ser SÓ e o ser TAMBÉM que hoje ainda mora a esperança. Apesar de todas as dúvidas.
...

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9Comenta Este Post

At 11/07/2007 1:09 da tarde, Blogger Daniel Arruda escreveu...

Parece difícil mas concordo contigo. O grande problema penso eu é que ninguém vê o que se passou na URSS com o devido distanciamento. Há os que adoram e os que detestam. Os que veneram e os que destroiem.
Mas olha que eu ainda acredito na revolução. Mas não me acredito em nenhuma das que referiste.

 
At 11/07/2007 4:03 da tarde, Blogger Rui Faustino escreveu...

Apesar da contra-revolução estalinista, apesar da burocracia ter sufocado a democracia soviética e de ter expropriado politicamente o proletariado russo, a Revolução de Outubro e as suas consequências (abolição da propriedade privada dos meios de produção e a planificação económica)permitiu um desenvolvimento económico e social dos povos da ex-URSS que teria sido impossível com o capitalismo.

Sem os logros da revolução russa, mesmo com a degerescência burocrática e deriva totalitária, não teria sido possível derrotar o nazi-fascismo na 2ª Guerra Mundial, nem tampouco a revolução colonial teria sucedido com a rapidez com que decorreu.

Nos 90 anos da Revolução Russa, há muitas coisas nos 70 anos seguintes, que merecem ser celebradas.

Mas ironia das ironias, os "políticos pragmáticos" como o Daniel Oliveira celebram a "utopia". Como a utopia é um horizonte não alcançavel, os concretos senhores do mundo agradecem as tiradas dos escribas.

Bem Hajam todos

 
At 11/07/2007 4:04 da tarde, Blogger josé palmeiro escreveu...

Independentemente do nome que lhe queiram atribuir, eu concordo contigo, sem me ser difícil. Somos aquela espécie que designam por "utópicos". O mal não está na coisa, em si, está no uso que lhe dá e apesar de todas as experiências e conhecimentos ainda se continua a errar, como foi no caso português. Já que não reflectimos nestas coisas nos outros dias, ao menos que nestes, se fale, se comemore, aquilo que ainda não aconteceu.

 
At 11/07/2007 10:54 da tarde, Blogger Isabel Faria escreveu...

Rui, os setenta anos de União Soviética não são apenas a derrota de Hitler,nem o sufoco da Democracia soviética por Staline, nem o burocratismo de Khrushchov.

Couberam mais coisas na URSS.
Na contra-revolução estalinista coube a morte e coube a perseguição. A morte e a perseguição de milhares de trabalhadores e dos seus próprios camaradas de Partido.
Coube o nacionalismo mais reaccionário e...anti-comunista.

Hitler não teria sido, possivelemnete, derrotado sem a URSS...mas o sofrimento do povo soviético não acabou com a derrota de Hitler.
Claro que a URSS apoiou a luta anti-colonialista. Longe do internacionalismo do "Proletários de todo o Mundo, uni-vos" essa ajuda. Ou acreditas que foi uma ajuda internacionalista? Em que o objectivo era o bem estar dos povos? Em que a Guerra Fria e a divisão dos Mundo não entrava nem contava?

Mas nos setenta anos da revolução russa, coube, sobretudo, uma machadada enorme na utopia e na esperança. Que, eu, ao contrário de ti, considero imprescindível para lutar por um Mundo Novo.
Mais justo. Mas também mais livre. E esta foi, é, a principal derrota de todos nós. Os setenta anos da revolução Russa criaram uma sociedade de maior desenvolvimento económico e social, como tu bem dizes. Mas não criaram uma sociedade de homens livres.

Este é o desafio da utopia. Que uma sociedade justa, socialista tem que ser uma sociedade de homens e mulheres livres.
Por isso e para lutar por isso não me importo nada se me considerarem pragmática.

 
At 11/07/2007 10:58 da tarde, Blogger Isabel Faria escreveu...

Daniel, mas eu também acredito. Ou não faria nenhum sentido andar aqui.
Talvez o tempo acabe por nos dar esse distanciamento. E permitir que o fim da URSS não seja uma machadada final no sonho de um mundo melhor.

 
At 11/07/2007 11:00 da tarde, Blogger Isabel Faria escreveu...

José, pois, como acebai de dizer ao Rui Faustino, eu também não me rala mesmo nada que me chamem utópica.
No dia em que deixar acreditar que é possível conciliar a justiça social, o internacionalismo e a liberdade individual e colectiva...reformo-me da utopia. mas devo ficar um bocado triste.

 
At 11/08/2007 12:28 da manhã, Blogger samuel escreveu...

Cara Isabel
Onde são as "incrições"? :)

 
At 11/08/2007 11:08 da manhã, Anonymous António Vilarigues escreveu...

Cara Isabel,
http://ocastendo.blogs.sapo.pt/96615.html

http://ocastendo.blogs.sapo.pt/96920.html

http://ocastendo.blogs.sapo.pt/97634.html

http://ocastendo.blogs.sapo.pt/97845.html

http://ocastendo.blogs.sapo.pt/88081.html

Sem comentários

 
At 11/08/2007 12:32 da tarde, Blogger Rui Faustino escreveu...

Isabel:

É evidente que a "contra-revolução estalinista" teve os efeitos na URSS que tu apontas. Senão, não falaria em "contra-revolução estalinista". Ondes está a diferença de opiniões?

Chamem-me antiquado, mas gosto de manter uma visão marxista da realidade.

O que afirmo é: as novas relações sociais herdadas de Outubro, a nacionalização da economia e a sua planificação (ainda que com todos os desperdícios, corrupção, desleixos e entraves do sistema burocrático de gerir) permitiu um desenvolvimento social e económico do país que não teria sido possível sob um regime capitalista.

De resto, também Napoleão se tornou num autocrata, mas quando invadiu a Europa levou com ele o "código" de leis francesas. Na Polónia foi o responsável pela abolição do Feudalismo. Logo ele que foi um tirano. Porquê? Porque a base sócio-económica do seu poder já não era o feudalismo, mas as relações sociais burguesas - herança da grande revolução de 1789.

Tal como o fizeram Staline, Brejenev e tuti quanti.

sobre a utopia. Aqui a discórdia é séria. Quando quero mergulhar a alma em estados líricos, escrevo poesia. a minha condição de comunista não advém de nenhuma característica sonhadora ou utópica da minha parte: vme da necessidade imperiosa de fazer a revolução socialista, para que a humanidade possa recomeçar de novo.

Percebo o que queres dizer quando falas em utopia, mas também percebo o significado que lhe dão outros que de utópicos nem têm nada

 

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