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domingo, março 22, 2009

A invenção do Amor

Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas
janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de
aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da
nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com caracter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia
quotidiana

Daniel Filipe

(Numa visita rápida pelos Blogs lembrei-me que tinhamos deixado passar o Dia Mundial da Poesia. O Cinco Dias, deu-me o poema exacto que queria aqui publicar. Há quanto tempo não o lia...e que bem que me soube lê-lo agora).

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4Comenta Este Post

At 3/23/2009 11:02 da manhã, Blogger Sin escreveu...

Lindo :)Não conhecia, mas é de ler e reler. **

 
At 3/23/2009 8:27 da tarde, Blogger Isabel Faria escreveu...

É muito bonito, sim.
È engraçado que durante anos me lembrei deste poema e depois quase que tinha esquecido a sua beleza.
Ainda bem que o redescobri.

 
At 3/23/2009 11:11 da tarde, Anonymous Anónimo escreveu...

Gosto deste

Em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a medir a tua altura


e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco



António

 
At 3/24/2009 11:01 da manhã, Blogger Sin escreveu...

Também gosto desse António. Muito bonito.

 

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