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segunda-feira, outubro 26, 2009

Carlos Cruz - "Preso 374"

Já em tempos falei aqui do caso Casa Pia e dei a minha opinião sobre o que eu achava do caso. Para quem não se lembra deixo aqui as posições ou opiniões que eu emiti na época. E relembro que na época só emiti opinião sobre 3 pessoas pois por razões afectivas, de “amizade” ou apenas de senso comum de quem desconhece o processo na sua essência eram essas que no processo me diziam algo. Sempre me acreditei que Herman José era inocente das acusações que lhe imputaram. Pouco tempo depois os factos falaram por si e as acusações foram retiradas. Escrevi na época que não me acreditava que Paulo Pedroso fosse culpado do que lhe imputavam. O tempo, embora tardiamente veio dar-me razão.
Falta falar de Carlos Cruz. Na época escrevi que não queria e não me podia acreditar que alguém que durante anos fez parte do meu imaginário, uma pessoa com quem eu cresci a vê-lo na televisão fosse pedófilo. Poderia acontecer. Eu ficaria triste mas não me queria acreditar que assim fosse, não gostaria que assim fosse e ficaria feliz se se provasse o contrário. Por vezes fazendo um esforço, mas ainda me acredito que a justiça funciona. No dia em que me deixar de acreditar nisso emigro. É porque perdi toda a confiança na democracia.
Vem isto a propósito de nos últimos tempos me ter interessado para saber como estava o processo e recuperar notícias antigas mas também muito do que foi escrito sobre um processo que caiu no esquecimento. Mas o problema é que não pode cair. Se há culpados que sejam punidos exemplarmente, mas se há inocentes acusados que sejam julgados absolvidos o mais rapidamente possível. Nesse sentido calhei a ler um livro o “preso 374” da autoria de Carlos Cruz e que não são mais que as memórias dos dias de prisão, o que se foi passando nessas alturas, os factos que vieram a lume e claro a sua defesa. Confesso que ainda não o li todo mas o que li já me deixou no mínimo a pensar que há algo de muito estranho em todo o processo. Acho que mesmo eu, que tento manter o princípio de que toda a pessoa é inocente até que a sentença transite em julgado me fui deixando levar pelo que os media diziam, chegando a pensar que não há fumo sem fogo.
Dêem uma vista de olhos por este livro. Acho que vale a pena. Se calhar explica o porque do muito que nesta altura falta dizer sobre o processo e muita da sua morosidade. E já agora voltou a fazer-me acreditar que se calhar Carlos Cruz não é o que dizem.

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7Comenta Este Post

At 10/26/2009 5:01 da tarde, Blogger André M. Palmeiro escreveu...

De facto, pelo livro ainda não passei o olhar, nem de relance, mas muito sinceramente no que respeita ao processo Casa Pia a única coisa que se me oferece dizer é a de que algo por ali cheira muito mal; não estamos a falar de prevaricadores de colarinho branco os quais em boa lógica passam quase sempre impunes, falamos de indivíduos (Carlos Cruz é um bom exemplo) face aos quais edificámos um tipo de relação meta-afectiva e que nos habituámos a ver como seres fora do comum que nos entravam pela casa a dentro todas as semanas; para mim, a grande questão a avalizar nesse como noutros casos (sem querer particularizar) é até onde vai a presunção de inocência, qual a fronteira, qual a margem a partir da qual deixamos de acreditar. Pessoalmente, creio que esta margem já foi transposta há bastante tempo, mas como ser humano racional procuro manter-me atento e vigilante, deixando contudo uma pequena equação:
- Com tanto e tanto fumo, tratar-se-á isto apenas de uma fumarola e de todos os implicados no processo, porque é que há uns a sairem mais chamuscados que outros; serão questões de telegenia??

Não sei... conservo as minhas dúvidas e concedo que talvez deva ler o livro...

 
At 10/26/2009 5:12 da tarde, Blogger Daniel Arruda escreveu...

André, penso ter deixado claro no post que há de facto contradições no que penso sobre as pessoas. Por um lado o que os factos me dizem, por outro lado o que eu penso ou quero pensar das pessoas. No entanto os factos são de tal forma contraditórios que a justiça vai ter de ser inequivoca e se assim for só tenho é de aceitar que a justiça está certa.
Há no entanto umpromenor neste processo que não se pode deixar passar. É que aos olhos da opinião pública e muito por culpa dos media, não vai ser preciso a acusação provar a culpabilidade dos arguidos mas sim vai ser preciso a defesa mostrar a inocencia o que só por si já é uma inversão do ónus da prova e uma viciação preocupante do processo.
Como escrevi, não quero fazer juízos de valor mas como leigo, quanto mais leio sobre o caso com mais dúvidas fico se ele foi bem conduzido e com isso se vai ser possível fazer uma justíça sã.
E lê o livro, a sério que vale a pena. quanto mais naõ seja par anos pôr a pensar.

 
At 10/26/2009 5:14 da tarde, Blogger Daniel Arruda escreveu...

Só uma coisa que me esqueci. No emu caso não se trata de telegenia. Eu falei nestes 3 casos por razões pessoais. Ou porque conheço as pessoas em questão ou no caso do Carlos Cruz pela questão que tu também referes no teu comentário.

 
At 10/26/2009 5:59 da tarde, Blogger André M. Palmeiro escreveu...

Não ponho em causa, Daniel, que neste caso tenha efectivamente existido uma inversão do ónus da prova e que de presunção de inocência tenhamos, num ápice, passado à culpabilidade efectiva, mas outra coisa que também não deixa de ser verdade é a de que este processo se tem arrastado "ad eternum" e que os mesmos "mass media" que serviram, consciente ou inconscientemente, para arrastar Carlos Cruz para o lodo são os mesmos que agora, de uma forma hábil, tentam puxá-lo à superfície.

A questão que eu deixei no ar foi outra e prende-se com o tratamento preferencial dado a uns em detrimento de outros; se a visibilidade do reputado comunicador serviu, numa primeira instância, para que todos o diabolizassem, serve agora, de um modo quiçá perverso, para lhe tentar salvar a face; num processo que tem sido tão longo e em que as alegações se perdem nos vastos corredores de tribunal, nas quais as pequenas evidências nos deixam permanentes nós na garganta, não estarão uns a pagar com o seu anonimato o que é de todos...?

Eu entendo que este raciocínio seja algo prolixo, eu próprio gostaria de crer na inocência de alguns dos implicados no processo, só não me conformo e não entendo o porquê destas águas paradas, das perseguições movidas a juízes, das artimanhas dos advogados de defesa, etc... Sinceramente, estou um pouco farto!

Mas mais uma vez concedo, vou ler o livro! Mas sem querer ser mauzinho também questiono: - Não será mais fácil para Carlos Cruz do que para outros fazer-se publicar...? Há outros pontos de vista que eu gostaria de ver tornados públicos que nunca conhecerão a luz do dia; mas isso também constitui, aida que perversamente, uma forma de democracia...

 
At 10/26/2009 6:10 da tarde, Blogger Daniel Arruda escreveu...

É essa uma das razões de eu recomendar o livro. É que uma das coisas que mais me pôs a pensar foi o facto de estar implícito que há culpados. É que são muitos e que este processo serviu para que eles nunca sejam acusados. E nesse aspecto o livro é escrito e pensado por alguém que conhece bem o processo. Ou seja o autor não nega que haja caso casa pia. O que ele nega é que esteja envolvido.
Claro que é mais fácil para o carlos cruz fazer-se publicar. Da mesma forma que foi mais fácil ser condenado na praça pública. As duas faces da moeda.
Quanto ao serem os mass media não me parece pois eles deixaram morrer o caso depois de terem feito tudo o que fizeram especialmente o CM e a TVI.
Quanto ás artimanhas há muitas explicadas volto a dizer, no livro. É que os erros da investigação são tantos que só um advogado estúpido não as utilizaria.
Mas que fique claro. Eu não defendo a inocencia de Carlso Cruz, pois pode parecer isso. Gostaria que acontecesse e os factos por vezes deixam-me pensar.

 
At 10/27/2009 9:30 da tarde, Anonymous Manuela Galhofo escreveu...

Fosse o Carlos Cruz um ilustre desconhecido e já teria sido condenado...Mas é rico e famoso.E,como os outros arguidos neste processo, deu entrevistas a torto e a direito,teve dos mais caros advogados a defendê-lo, passou pelas fases todas:inocente-pedinchão-lam'urias,arrogante-não fui eu,foi outro igual a mim,rico-pobre-mais ou menos rico...Enfim...No meio disto tudo,eles são todos inocentes e vítimas.Os únicos culpados serão os abusados e,claro,o Bibi,porque é mesmo pobre (em todos os sentidos) e não conseguiu levar a comunicação social atrás...

 
At 10/27/2009 9:51 da tarde, Blogger Daniel Arruda escreveu...

manuela, vejo que conhece bem o processo, pois afirma perentóriamente que o Carlos Cruz é culpado. era isto que eu falava noutro comentário. Vai ter de ser a defesa a provar a inocencia e não a acusação a culpabilidade como é de lei. Se ele for condenado dir-se-á "eu sempre disse" se ele for inocentado a frase será "livrou-se porque é rico e famoso". É contar este tipo de justiça que eu luto. O ministério público é que tem de provar que cruz é culpado sem sombra para dúvida e até agora isso não aconteceu nem de perto nem de longe.
Não nego que houve pedófilia na Casa Pia. Eu frequentei aquele estabelecimento durante 2 anos ao abrigo de um protocolo ente a camara de Comercio Luso Alemã e o colégio de Maria Pia. E sei o que se dizia e quais os sítios proibidos na instituição e quais os nomes que se falavam na instituição. Porque tenho colegas de trabalho que foram gansos. Por isso sei do que falo. Por isso me interesso pelo caso.
E desculpe que lhe diga. Por isso me irritam tanto os juízos feitos pelas pessoas sem saberem do que falam só porque lhes apetece.

 

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